10 de novembro de 2013

Achismos e perdida

Wroclaw

Ei, psiu! Com licença, senhor. Preciso de uma informação. Na verdade, de várias. O problema é que me perdi e não sei como voltar. Esqueci até quantos passos arrastados dei e sei arrastei alguém até aqui, comigo. Mas estou sozinha agora e não sei como voltar, aliás não sei se devo voltar. E agora?

Sinto-me como Alice, mas meu nome é Clarice, prazer. O senhor deve achar que tenho amnésia impregnada em minhas veias, mas tenho quase vinte. Quase velha, quase nova, quase sem dinheiro para pagar a conta do telefone. Não sou um copo usado para explicar as coisas da vida, mas sou quase cheia, quase vazia. Cheia de dúvidas, interrogações flutuando quase como se fossem fadas, quase. Vazia. Oca. Nem sei se tenho coração ainda. Dentro de mim, deve ser um relógio. Esse batuque "tiquetaqueando" não é coisa de gente que sente, que vive e transcende. Só sei levantar da cama e fazer o que tenho de fazer, mas até isso eu esqueci.

Onde parei mesmo?

Bem aqui. Ainda não me conhece bem, pode até me achar uma doida varrida. Tenho um apartamento novo que precisa ser varrido e uma louça que precisa ser lavada. Um gato que faz a festa e frutas que precisam virar vitamina, mas por que? Eu já não tenho motivos. Perdi minha motivação em algum canto do parque, ou em algum beijo. Ah, beijar... Disso eu não me lembro mesmo. A amargura é tanta... Talvez seja porque parei de beber minhas vitaminas pela manhã.

Queria tanto que você acreditasse em mim, porque eu só queria me encontrar. Em qualquer paz, em qualquer "auê" que fosse! Estou desesperada por um lugar que me acomode, até mais que minha cama, meu apartamento ou o abraço de alguém. Pior que estar perdida em um lugar onde não se conhece absolutamente ninguém, é não reconhecer onde é o seu lar. Não reconhecer quem eu amo, mesmo que nos braços de outra. Dói de novo, mas que doa! É melhor reconhecer a dor, e sair do lugar. Ficar presa, estagnada ao nada, é castigo, maltrato e dói mais uma vez.

Meu estado emocional está uma perfeita merda. Desculpa? Não sei como ainda não esqueci essa mania de xingar quando estou na merda. Desculpa mais uma vez? Só quero uma solução e quem sabe, você possa fazer isso por mim. Chegar de me sentir muito mal! Minha mente pede descanso e meu coração, sossego.

Ainda que o senhor não possa fazer nada, diga que é mentira. Vai e me ajuda! Acredito fielmente em seu potencial, e olha que nunca o vi ser promovido. Nunca o vi bebendo conhaque, nem dançando jazz em um sábado à noite. 

Preciso de força, preciso sentir e ser curada. Preciso lembrar do que esqueci, uma vez que preferi esquecer. Se o senhor for o tempo, eu o aguardo. Prometo ter paciência, espero mais um pouquinho e não faço beicinho. Gosto de surpresas! E sei que é dono das mesmas, então, não vou esquecer. Vou lembrar da promessa, combinado?

Lembrei!

3 comentários:

Lídia Andrade disse...

Que profundo, encontrei-me neste texto... Obrigada!

http://lidiaandradee.blogspot.com.br/

Brunna Bispo disse...

amei muito o texto!

Crystal Spinelli disse...

A-d-o-r-e-i!!!!!! Arrasou, Thais!!!!
Fico muito feliz que tenha achado o meu cantinho para que eu achasse o seu: lindo e muito comovente!
Parabéns!!!

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