20 de maio de 2015

Fechar a porta não basta



Nota do autor: sem te dar spoilers sobre o fim, mas tudo vai ficar bem.

Há coisas nessa vida que ninguém pode evitar, e uma delas é o fim. Da vida, do Miss Dior, do seu biscoito favorito ou de um relacionamento. Tudo parece pior e nada é capaz de trazer o otimismo dos dias felizes de volta. Ok, Thais. Tem gente que consegue superar numa boa, queimando as coisas ou só pensando "vou seguir em frente e ponto". Tem gente que é mais "forte", mas quem disse que ser sensível é sinônimo de fraqueza? E tem gente que não sabe trabalhar com pontos. Aliás, só com reticências.

Já posso adiantar ou desanimar que não tem receita, fórmula ou macumba que dê jeito. Viver o luto é inevitável. Meu conselho é: não minta pra você mesmo. Pior que mentir pra alguém, principalmente pra todas as pessoas que se importam, é enganar alguém que você deveria, mais que tudo nessa hora e daqui pra frente, amar com todo coração: você. Não adie a dor, não esqueça na gaveta. Não tranque dentro de você, não. Uma hora, a gente quer achar uma roupa diferente, quer fazer diferente, e acaba encontrando aquela "calcinha" velha que já deveria ter ido pro lixo.

Até pode parecer impossível, mas não mude o cabelo. Sábias palavras da minha avó que sempre disse que, quando se está triste, não devemos mudar o visual. Nada de cortar, pintar ou aparar as pontas. Nossas energias estão sendo "liberadas" nesse momento, então não estranhe se nascer uma espinha, se o cabelo virar palha e os olhos perderem o brilho. A felicidade é o melhor rejuvenescedor, e só funciona de dentro pra fora. Não gaste dinheiro com cosméticos. Vai viajar, vai! Ver outras pessoas, outros lugares... Você vai acabar percebendo que perder horas no salão não é nada comparado a se perder no mundo, pra se achar, então.

Outra coisa muito importante: está na hora de apagar as músicas do celular e conhecer novas bandas, cantores e preencher seus ouvidos com melodias que não te lembrem do passado. Ainda não aprendi que um dos piores erros da vida, é associar aquela música que a gente gosta, do cantor que a gente ama à alguém. O "adeus" é a pior parte, mas pensa só: você só precisa baixar o Spotify e pronto. Próximo. Tem coisa mais fácil que passar uma música? Amigos, não. Tem muita gente por aí querendo ser ouvida. Vamos nos dar uma chance e apertar o play.

Quando eu era mais nova, a solução pra pequenas brigas, como não sentar ao lado da amiga na escola, era excluir a pessoa de todas as redes sociais. Amigos, menos. Se estiver fazendo um mal tremendo, tudo bem, não vou impedir. Mas existe uma ferramente maravilhosa e que toda vez que eu penso nela, levanto e bato palmas. É o "deixar de seguir" no Facebook. A pessoa não deixa de estar ali, na sua lista de amigos, mas é como se ela deixasse de aparecer pra você na rua, nas festas... Você não precisa mais morrer ou perder o ar a cada atualização. Essa opção é o seu balão de oxigênio e seu passe livre pra outras coisas bem mais interessantes que a foto do alguém com outro alguém.

Desesperador? Sim, eu sei. E como sei. Todas essas coisas parecem muito fáceis de ser falar, mas é exatamente por isso que estou escrevendo. Porque cada vez que eu esquecer de uma delas, eu volto aqui. Leio, de novo. A internet pode quebrar! Mas as palavras não vão sumir. Palavras ditas somem, voam por aí, assim como as promessas, caras e os corações que quebram. Por isso, sempre que se sentir perdido, volta pra cá. Sei lá, imprime isso e cola no teto do seu quarto! No espelho ou como protetor de tela. A tecnologia nos ajuda em tantas coisas, até em arranjar novos pretedentes (alguém ainda diz isso ou só eu?)! Calma! Não estou dizendo que é hora de ir pra pista e se aventurar. Se quiser, bem. Mas esteja ciente dos riscos, das quedas e de todo o resto. É como encher a cara por estar sofrendo. Beber três copos enormes de caipirinha não vai anular a dor.

Vocês até podem baixar o Tinder ou o Happn. Dar uma chance àquele cara da faculdade ou do cursinho que não para de te olhar, mas acho que o mais importante nesse momento, é se preparar. Cuidar de você. Limpar a casa para outra pessoa entrar, e se você deixar. A decisão é sua, de novo. Não compartilhada! Vocês são donos da propriedade toda e têm o poder de mudar o pior, pra melhor. Expulsar os sem terra que só querem passar uma noite. O mundo é de vocês, e o coração também. Não perca a chave dele. Fechaduras são bem diferentes, assim como as pessoas. Está na hora de fechar a porta, mas abrir a janela. Permitir-se ver o tempo mudar, o tempo passar e curar o que ainda resta em você. Seu único e inestimável amor próprio.

2 comentários:

Caroline Façanha disse...

Adorei! Nunca tinha lido nenhum texto seu, você descreveu exatamente essa minha fase que passou!Brigada.
Bjs

Unknown disse...

Ameeei♡

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