25 de agosto de 2015

Trégua


Liberdade. Já posso ouvir nossas músicas, que não vai ter mais dor pra me incomodar. Nem rancor pintando o meu rosto, ou lágrimas no travesseiro ou nas janelas de cada ônibus que eu pegar. As portas estão abertas e cada vez que você passar por elas, não hesite. Entra, vai. Não é uma reconciliação, mas já é uma desculpa pra tomar café e lembrar que não somos mais tão crianças como antes. Um mundo entre nós, quando tudo o que nos restou foi o aqui. Já que estamos, por que não ficar mais um pouco e mais uma vez?

Eu estava conversando com um amigo bem próximo e ele me perguntou como eu estava me sentindo depois de todo esse tempo, que nem é tanto. Bem... Será que eu estou bem? Quero dizer, estou saindo, conhecendo pessoas. Ou pelo menos tentando, já que as palavras "princesa" ou "gatinha" acabam arruinando qualquer tentativa. Dançando, bebendo, uma coisa mais que a outra e nem sempre nessa ordem. Mas estou fazendo o possível pra voltar a ser o que eu era, se é que eu me lembro. Devo estar indo bem. Estou me dando mais uma chance, já que somos eu e eu, de novo. Mais uma vez.

Durante a conversa, pensei na palavra "vazio". Não é que eu não sinta nada. Sou um poço de sentimentos e sensações, e quando digo poço, porque poucos conseguem enxergar o que realmente há em mim. E não é desmerecer, quando nem eu consigo entender o que acontece em mim de vez em quando. Prefiro acreditar que é algo parecido com quando éramos pequenos, antes de ter o primeiro amor ou paixão. Como éramos antes disso? Você já parou pra pensar nisso? Porque acho que é assim que eu me sinto e é tão engraçado.

Liberdade.

E a saudade? Minha mãe diz que eu não posso seguir em frente com uma bola gigante amarrada no pé, arrastando corrente. Além de assustar, vou afastar todo mundo que tentar se aproximar. Como posso me sabotar tanto? A vida tem uma forma engraçada de mostrar que a gente não sabe muito da vida, mesmo que saibamos como reparar as coisas dos outros. Até corações.

Por isso, quero estar de fora. Poder me ver, vivendo, sorrindo. Assistir minha própria história vai ser bastante saudável e necessário pra minha própria cura. Do lado de fora, eu consigo ver melhor. Pode estar chovendo aí, mas se der Sol, eu já estou aqui: preparada. Não quero mais ficar nessa! É hora de mudar as coisas de lugar mais uma vez, tirar a poeira e levantar a bandeira branca, arrumar a mesa e não deixar o café esfriar. Estou te esperando, mas calma. A única reconciliação será entre minha paz e eu. Estou desarmada, sou mais amada e por mim mesma.

6 comentários:

Anônimo disse...

Que texto lindo, da pra sentir a emoção em cada palavra. Vc escreve muito bem, deveria postar mais! Bjs ��

Ellen Araújo disse...

Adorei! :)

Leite com Biscoitos disse...

Eu acho que esse vazio sempre depois de uma separação (ao menos pra mim) se refere muito a falta que a pessoa faz, a ausência dela em nossa rotina. Adorei o teu texto, eu estou passando por isso, acredito que na fase final digamos rsrsrs, mas é sempre difícil porque recomeçar é sempre difícil.

http://www.leitecombiscoitos.com/

Nandha Aureliano disse...

Adorei, o texto está lindo, parabéns.



http://imaginneee.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Oi, tudo bem?
Caí de paraquedas aqui e não quero ser grosseira, mas acho que você deveria creditar as fotos e desenhos que não foi você quem fez. Publicar sem creditar é desrespeitoso com os artistas e acredito que você tenha sensibilidade para reconhecer isso.
Abraço!

JustMaay Blog disse...

Lindo esse texto, da pra sentir todas as emoções e sensações e reencarnar na pessoa.
Beijos :*
www.justmaay.com

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