E antes mesmo que eu pudesse me desesperar, no fundo do armário em meio a tanta poeira, eu encontrei uma foto. Uma foto que eu já cogitara a idéia de ter sido perdida. Ela existia e estava bem ali.
Eu a coloquei em minhas mãos com tanta segurança que podia sentir medo escorrendo pela minha testa. Medo de não ter mais nenhuma lembrança intacta e concreta. Foi então que passei minha mão pela foto delicadamente para que pudesse compreender melhor o motivo de tanta alegria e desespero. Lá estava ele, eu e minha única lembrança.
James – eu sussurrei para mim mesma enquanto coloquei a mão sobre a boca juntamente com meu relicário. Com tal ação, pude também sentir uma única e tímida lágrima desobediente descer pelo meu rosto e cair justamente onde James se encontrava na fotografia pouco consumida pelo tempo.
Lá estava eu. Como eu já parecia o amar tanto mesmo tão jovem?
Estávamos em sala de aula. Era festa e eu estava sorridente com meus lindos cachos longos da época. James – sentir sua falta e pronunciar seu nome era quase mortal, sendo mais dramática o possível – usava o nosso antigo uniforme e parecia impecável. Estava perto perto da nossa antiga professora e, tímidamente, me encarava com tanta pureza... Eu não sabia explicar, mas a única coisa que pude lembrar foi do primeiro “eu te amo” que recebi dele. Foi em uma época difícil e aquilo foi tão infeliz.
Uma pessoa te amar é sinônimo de infelicidade?
Ouvi um barulho e decidi ir para um lugar seguro e que não fosse motivo para desconfiança. Guardei a foto no mesmo lugar, por mais que me doesse, fechei a porta e desliguei a luz. Fora, novamente, a última vez que eu vi James. E só eu sei o quanto, pelo menos, eu queria que ele estivesse comigo. Mais exatamente, em meu relicário.
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10 de outubro de 2011
O relicário
13 de agosto de 2010
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