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15 de janeiro de 2014

viajando no tempo



"O tempo passou", você diz. Mas se quer saber, a caneca ainda está na pia, meu cabelo continua castanho e aquele apresentador histérico continua assombrando minhas tardes tediosas. Tudo parece ter parado, menos meu coração. As coisas ainda acontecem dentro de mim, você sabe. Eu não preciso dizer nada, nem você. A gente se olha e pronto: lá está o flashback e  é como se não houvessem sertanejos e nem rappers. Só toca a nossa música. Ela ainda toca no rádio.

Se eu pudesse voltar, trocaria todos os móveis de lugar, assim, reclamaria bem menos das topadas. Na verdade, teria jogado tudo pela janela junto com o medo e me mudado. Tchau, Brasil e família. Olá, Alasca! Experiências incríveis, pessoas novas, um frio infinito e um futuro bem melhor, diferente do hoje. Por que eu tive medo, por que? Não me recordo de ter um pingo da coragem que tenho hoje (obrigada pelas lições, Coraline) e por isso, ainda estou aqui. Nada mudou.

Se eu pudesse voltar, teria ignorado seus amigos idiotas e percebido o que eu estava por perder. Nunca teria feito você chorar mesmo que eu tenha chorado também. Se eu pudesse e eu pude, estaria com você, em alma e corpo. Ninguém ia ver a gente separado, mesmo que eu estivesse em Paris e você na Alemanha. Eu e você, um exemplo e sonho de todas as meninas apaixonadas espalhadas pelo mundo. Por que eu tive medo, por que? Minha vida amorosa é um tédio e logo você estará dizendo "aceito". Ainda estou aqui e nada mudou para mim.

Se eu pudesse voltar, voltaria e só. Principalmente, a fotografar. Ah, como isso me faz falta! As pessoas ainda acreditam que eu vou ser uma fotógrafa famosa, mas será que eu acredito nisso? Isso! Eu voltaria a acreditar em meu potencial. Se eu pudesse, voltaria a acreditar em mim de uma vez por todas e sem volta. Mas por que? Por que eu estou aqui e sem acreditar que as coisas podem acontecer, basta eu querer? Dessa vez, algo mudou.

Se eu pudesse, desistia de vez de voltar. O tempo passou e eu concordo. A caneca na pia? É nova. E o cabelo? Eu tentei outras três ou quatro cores antes de voltar para o castanho e sobre o apresentador, eu mudei de canal e não percebi a diferença. As coisas mudaram, eu mudei e preciso mudar de novo. Não estou feliz, mas não vou voltar. O futuro espera por mim e esse voo eu não pretendo perder.

Espero que espere por mim, seja em outra vida ou em outro voo. Eu perdi o passado, admito. Se eu pudesse, não teria sido tão tola e medrosa. Mas o futuro, ah, o futuro! Esse sim é um presente, e pretendo recebê-lo de braços abertos. Estou esperando.

Ei, você também.

11 de novembro de 2012

Questão de tempo

time is tickin' away

O tempo não cura nada. Só trata de varrer as lembranças para debaixo do tapete. Um acontecimento ali, uma fuga da rotina aqui... e quando menos se espera, sente-se uma pontada. No coração. Lembra quando disseram que o máximo que poderia restar era uma cicatriz?

Errados. Todos errados.

Um arrepio. O coração parece gelar, assim como as mãos. E tudo que parece ecoar são os passos até você e aquela música, digna de trilha sonora de um dos seus filmes gringos favoritos. E sem letra alguma. Pra que dizer pouco que seja quando já se sente tanto?

São tantas interrogações em questão de segundos, que um segundo vira uma questão. Uma dúvida. Uma questão de tempo. O tempo. Nosso tempo.

Passou.

Você passou. Eu segui. Elas ficaram. Lembranças que eu já nem lembrava que tinha, sobre alguém que eu tinha. Maldita hora!

Tudo passou junto com os segundos. Assim como os dias que me tiraram de você, mas me trouxeram aqui. Do outro lado do relógio, contando as horas para que o dia se apresse... para que as horas corram e eu possa voltar para casa, onde eu vou deixar o tempo te levar de mim mais uma única vez. Novamente, contando com a esplêndida noite de sono que me pertence.
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