3 de fevereiro de 2013

Eu e o Roacutan

Pure

Quando somos crianças, não há aventura mais maravilhosa que a de crescer. Dá até pra imaginar aquela cena clássica da menina em cima de scarpins, com maquiagem borrada pela falta de habilidade e a roupa enorme vinda direto do armário da mãe. É incrível pensar que esse tipo de situação aconteceu comigo! Quando jovens, somos impacientes. Em um estalar de dedos, as princesas deixam de ter uma certa graça e as letras de músicas de desenhos que passam na TV vão parar no esquecimento.

Aí você é adolescente e não há filme do Freddie Krueger que seja mais assustador que essa fase confusa e cheia de emoções pela qual todo mundo passa. E novamente, dá até vontade de vestir uma blusa tamanho "oito anos" pra ver se alguma mágica acontece, e você volta correndo pro colo da sua avó. Mas nada. E as mudanças, todas elas de uma vez, correm em sua direção e você se sente encurralado com tanta coisa, tanto hormônio que tudo resulta em rebeldia. No meu caso, espinhas.

Até os meus dezoito anos, eu tinha uma ali, outra acolá, nada sério e digno de "não vou sair de casa". Mas depois disso, parece que todas as espinhas horrorosas e tenebrosas do mundo vieram parar direto e só no meu rosto. Resultado? Desânimo, autoestima lá no subsolo e "não saio de casa hoje".

O que muitas pessoas não devem nem imaginar, é que muitas outras pessoas sofrem com esse problema dos infernos, ops da adolescência que é a acne.

Segundo o site Minha Vida, a acne é uma doença de pele que causa a formação de espinhas, cravos e lesões vermelhas inflamadas (pápulas, pústulas e cistos) e que ocorre quando orifícios minúsculos na superfície da pele, chamados de poros, ficam obstruídos. Dá pra imaginar o stress só de ler isso, não é? Ninguém gostaria de estar na minha pele, literalmente.

Quem me conhece, deve imaginar que eu esteja fazendo tempestade em xícara de chá na certa. Tudo bem que meu rosto não ficou como o de certas pessoas que aparecem quando você joga a palavra "acne" no Google, mas o meu problema não é simples como imaginam. Tanto que nessas férias, decidi resolver isso de uma vez por todas.

Na visita a uma dermatologista de confiança, ela de cara me receitou o famoso e temido Roacutan.



"Trata-se de um medicamento usado em casos graves de acne. Seu princípio ativo, a isotretinoína, é um derivado da vitamina A. Sua ação é baseada principalmente na redução da oleosidade e produção de sebo, bem como controlar as bactérias que causam a acne.

Em alguns casos, o tratamento com o medicamento pode se estender por até 8 meses e deve ser obrigatoriamente prescrito por médicos dermatologistas. Trata-se de uma medicação extremamente eficaz, mas que pode provocar problemas sérios.

A acne severa pode levar seus portadores à depressão. "

Já deu pra imaginar a cara que minha mãe fez, né? Eu já havia conversado com ela algumas vezes sobre o medicamento e que ele seria infalível, mas mãe é mãe. Ela ficou tão assustada com os milhares de vídeos que mostrei e com o que leu sobre os efeitos colaterais, que resolveu vetar a ideia.

Só depois que a doutora conversou e tirou todas as dúvidas, ela se viu mais calma e decidida a me ajudar no tratamento que vai durar um ano inteirinho com direito a várias outras consultas e exames de dois em dois meses para checar se meu organismo e minha pele estão respondendo de forma positiva ao tratamento.

Além do Roacutan, tive que comprar um sabonete líquido (Suavié) que uso duas vezes por dia, um protetor solar específico para minha pele e que tenho que passar de duas em duas horas (Minesol Oil Control), e o Bepantol para passar nos lábios, já que o Roacutan resseca a pele de uma forma incrível (e assustadora). Já estou no quarto dia, e minhas mãos que sempre foram as mais macias, hoje estão um tanto diferentes.

Uma coisa que devo alertar é que o Roacutan não é um medicamento que você pode comprar se der na telha. Você, primeiramente, deve passar por um médico, depois pela dermatologista e fazer uma série de exames para saber se você pode ou não iniciar o tratamento. Sem falar nas recomendações: eu não posso ingerir qualquer bebida alcoólica, bebo bastante água pra me hidratar e passei a me alimentar melhor. 

Outra coisa que se deve ficar atento, são as meninas que pretendem engravidar. Que tal deixar isso pra depois (e bem depois) do tratamento? Lembro da doutora dizer que o medicamento não é abortivo, mas o bebê nasce com uma série de problemas, então, "antes fosse só um bebê, mas imagine um bebê estragado?". Essas palavras da própria me marcaram muito e é lógico que eu nunca pensaria em ter um bebê agora. Pera lá! Tenho dezoito anos, mas não tenho namorado e muito menos vontade de comprometer meu futuro. Responsabilidade acima de tudo, né galera?

Algo que também me deixou meio assustada (novidade), foi a bula do Roacutan. Além de ser quilométrica, é tanta coisa tenebrosa escrita que logo eu que estava sossegada e conformada, fiquei com o pé atrás. Perdi até vontade de tomar! É claro que foi drama passageiro e logo se foi o primeiro comprimido, depois de uma boa refeição. Outra coisa: nada de Roacutan com estômago vazio.

Não sei se foi psicológico, mas eu senti náuseas, dores no tornozelo e leves confusões e distrações. Na manhã seguinte, sensibilidade ao Sol ao extremo. Eu já não gostava muito, mas agora parece que as coisas pioraram e eu não saio mais de casa sem meus óculos escuros.

Antes fossem só os efeitos colaterais ligados ao físico, mas de certa forma, o medicamento baixa mais ainda a autoestima e acentua a depressão. Ou seja, você fica mais pra baixo, mais quieto, mais triste... Isso foi uma das coisas que me preocupou muito e mais ainda a minha mãe, porque imaginem: você já não se acha a pessoa mais bonita do mundo por conta da acne e o remédio ainda acentua essa raiva de si mesmo? São pontos bem complicados e que devem ser observados bem de perto. Minha família tem me apoiado muito e fico feliz por tê-los por perto me ajudando a deixar o desânimo de lado.

Reparei também no cansaço. Eu trabalho manhã e tarde, e estudo a noite. Dá pra imaginar o meu desespero? Mais uma vez, digo que é preciso me alimentar muito bem e beber bastante água. Isso me faz lembrar que a tia que limpa o curso onde eu trabalho, sempre me lembra de beber água de cinco em cinco minutos. Valeu, Edna, sua fofa! Obrigada por tudo.

Por fim, fico feliz de poder compartilhar com meus amigos, conhecidos e leitores sobre o que estou passando e sobre a experiência que vou ter até Fevereiro do ano que vem. Parece bastante tempo, mas vai dar tudo certo e esse é o primeiro post de muitos.

E se você aí do outro do lado da tela está se escondendo e cansou de ouvir da sua mãe que isso é da idade, corre com ela pro dermatologista confiável e veja se isso é sério ou drama. Não custa nada se tratar, e tratar da sua autoestima, afinal, é preciso se amar e principalmente, se cuidar.

2 comentários:

Carissa Vieira disse...

Adorei!
É uma coisa que vale a pena compartilhar. eu sofri com acne e ainda sofro. Então vou mudar o tratamento e provavelmente vou pro roacutan também. Tudo pra ser feliz.

Carissa
http://artearoundtheworld.blogspot.com

Louise disse...

Os cravos começaram a aparecer na zona T do meu rosto em 2003, quando ainda estava na 3ª série. Em 2004 as coisas começaram a se agravar, formando espinhas vulconígeas (neologismo sempre em nossos corações) e meu rosto ficou todo empipocado. Usei gel secante, esfoliante, essas parafernalhas todas de cosmético e NADA adiantou. Em 2009 as coisas estavam mais no controle - embora ainda tensas -, mas só foi em 2010 que eu realmente bati o pé e falei "AGORA EU VOU NA DERMATOLOGISTA". Tinha 15 anos na época e ela receitou a isotretinoína. Comprei em uma "casa de manipulação", mas acredito que seja a mesma coisa que o roacutan.

Minha pele, antes oleosa, ficou seca mas o que mais sofreu foram os lábios: completamente ressecados e manteiga de cacau era um veneno. A pele começava a simplesmente cair, não era legal. Então eu descobri a pomada Bepantol e, cara, foi um milagre!!!! Senti também que as dores na minha coluna ficaram piores, mas a dermatologista garantiu que não tinha nada a ver com o medicamento.

Tomei por seis meses e funcionou, mas agora, quase três anos depois, os cravos voltaram e eu estou com muito receio do tormento das espinhas voltarem :~

Vale a pena, apesar de todos os efeitos. Minha pele ficou feito pêssego e eu espero que o seu problema também se resolva. E com relação ao desânimo, todos os dias olhe no espelho e, mesmo que não esteja sentindo isso, fale: EU SOU LINDA! LIIIIIIIIIIINDAAAAAAAAAAAAAA!!!! E deseja bom dia pra si própria. Ajuda.

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